O
MENDIGO, O LADRÃO E A MULTIDÃO

1.
O CORAÇÃO
DE UM MENDIGO
Um pouco distante
já
se podia ver a grande multidão avançando, marchando
lentamente rumo à cidade de Jericó. Na empoeirada
estrada, era possível distinguir milhares de pessoas. À frente
daquela multidão, ia o Messias enviado por Deus, o Salvador do
mundo, Jesus Cristo.
À
beira do caminho, um homem num estado calamitoso pergunta o que está
ocorrendo, pois ouve um crescente ruído de pessoas se
aproximando. Fica sabendo que Jesus Cristo ia passar por ali. De
repente, começa a gritar com todas as forças que ainda
lhe restavam: Jesus,
Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
Esse fato
ocorrido durante o ministério do Senhor Jesus é bem conhecido.
Gostaríamos de refletir com você sobre ele e também
sobre o que se seguiu ao mesmo, a não menos conhecida história
de Zaqueu.
Aquele
pobre mendigo que clamou tão desesperadamente o nome de Jesus se encontrava
numa situação miserável, difícil até
de imaginar em nosso contexto atual. Não esqueçamos que
estamos falando de uma época onde não existia
previdência, auxílio invalidez, aposentadoria, órgãos
de caridade, secretarias governamentais de auxílio à
pobreza, etc. Não havia nada disso. Era um cego deixado à
beira do caminho e que sobrevivia com as esmolas que lhe jogavam. Sem
dúvidas, um homem mal vestido, mal cheiroso e de aspecto
repugnante. No entanto, ele teve a iniciativa de clamar ao Messias
com um coração sincero, quando soube que Ele passaria
por ali. Essa é uma característica de Cristo. Ele
sempre está disposto a ir aonde estão as mais
desprezadas pessoas da sociedade...
Imediatamente,
a multidão começou a repreender o pobre e insignificante
cego. Grande parte as vezes, a multidão é assim. Ela se
levanta contra expressões de genuíno arrependimento,
humildade e sincera busca da Graça divina. Levanta-se contra
seres aparentemente inferiores. Talvez, o principal argumento usado
por aqueles que se opuseram ao clamor do cego foi que ele estaria
importunando o Mestre com questões insignificantes,
atrapalhando as elevadas pretensões do Rabi. Jesus estava indo
a Jerusalém e havia uma expectativa oculta em grande parte
daquela multidão, uma expectativa da qual falaremos um pouco
mais adiante...
As
críticas daquelas pessoas não foram um empecilho
suficiente para o cego. Aquela multidão desprezou o cego da
mesma forma que as grandes instituições desprezam os
pequenos grupos de cristãos que desejam seguir Jesus Cristo
retamente conforme a Verdade do Evangelho e de acordo com o que Jesus
e os apóstolos ensinaram e viveram. O pobre homem não
deu ouvidos às vozes oriundas da multidão e continuou
clamando ainda com mais afinco: Filho
de Davi, tem misericórdia de mim! E
o Senhor Jesus, que ouve a todo aquele que clama pelo Seu nome com
sinceridade, sem nenhum tipo de acepções, parou e pediu
para que lhe trouxessem aquele homem. Naquele momento, o mendigo que
não podia ver teve um encontro com o Rei dos reis. Ele foi
curado e salvo. Começou a enxergar física e
espiritualmente, pois a primeira pessoa que ele viu foi o próprio
Cristo. Que privilégio! A partir daquele maravilhoso instante
começou a seguir o Mestre, saindo da beira do caminho para
entrar no Verdadeiro Caminho, que é Jesus Cristo.
O Senhor não se
deixou impressionar pela grande multidão nem pelas suas
opiniões ou prioridades, mas se compadeceu de um coração
sincero. Sempre será assim. Os valores do Reino de Deus são
diferentes dos valores do mundo...
Após esse
glorioso momento, o Mestre prossegue sua caminhada rumo a Jerusalém.
Porém, antes teria que passar pela cidade de Jericó...
2.
O
CORAÇÃO DE UM LADRÃO
Estamos
abordando neste artigo os momentos que antecedem a gloriosa entrada de
Jesus Cristo
em Jerusalém, onde dias após seria crucificado.
Consequentemente, milhares de pessoas O seguiam. A multidão,
no entanto, tinha que passar pela cidade de Jericó. É
difícil compreender o alvoroço que um grupo composto de
milhares de pessoas gerou ao entrar numa pequena cidade da Palestina
de 2.000 anos atrás. Sem dúvidas, as estreitas ruas da
histórica cidade ficaram superlotadas. Havia uma grande
comoção e praticamente todos naquela localidade ficaram
sabendo que o Messias estava entrando na cidade.
Um homem,
conhecido amplamente naquela cidade e também por todos aqueles que têm
lido a Bíblia desde então, ficou sabendo que por ali
passaria o Mestre. Estamos falando do pequenino Zaqueu.
Quando
comparamos a situação do cego que havia sido curado e salvo momentos
antes e a situação de Zaqueu, podemos pensar que são
duas situações muito diferentes, mas na realidade são
bem parecidas. Os dois homens queriam ver Jesus. Um tinha uma
limitação física, a qual foi curada. O outro
também tinha uma limitação física e, como
havia ocorrido à beira do caminho com o cego, teve que
enfrentar a oposição da multidão. Agora não
mais na forma de reprimendas orais, mas na forma de uma barreira
física intransponível para um homem de baixa estatura.
O que fazer?
Da mesma forma que o mendigo gritou com todas as forças que ainda lhe
restavam em sua condição, desprovido de qualquer
orgulho, o publicano Zaqueu, homem rico, influente e amplamente
conhecido da "alta sociedade" daquela cidade, lançou
fora o orgulho e a pose, subindo numa árvore e expondo-se ao
ridículo na frente daquelas pessoas.
Se
na disposição
de ver o Mestre o mendigo e o rico se assemelham, eles diferiam
radicalmente na condição social. O cego dependia de
esmolas e migalhas lançadas pelos viajantes. O rico Zaqueu
havia adquirido dinheiro e patrimônio através de um
trabalho impiedoso contra o povo, um trabalho repleto de corrupção
e injustiça. Ele era cobrador de impostos. Talvez, uma das
“profissões” mais odiadas pelos judeus daquela
época. Podemos dizer com toda certeza que Zaqueu era odiado
por grande parte daquela população de Jericó,
principalmente pelos mais pobres.
Porém, Jesus
Cristo não faz acepção de pessoas. A multidão
odeia, diminui, é rancorosa e preconceituosa. Jesus ama,
perdoa e regenera. Todo aquele que invocar o nome Dele será
salvo (Atos 2:21). Se havia curado e salvo o maltrapilho mendigo que
clamou à beira do caminho, detendo por alguns momentos a sua
caminhada rumo a Jerusalém, também se deteve para
dirigir-se àquele pequeno homem que se equilibrava encima de
uma árvore para vê-lo passar. Pequeno homem nas
estaturas física e moral. Na verdade, a missão do
Mestre era a de buscar e salvar o que se havia perdido (Lucas 19:10).
O grande problema era que a maioria, principalmente composta dos
religiosos da época, não reconhecia que precisava que
precisava Dele tanto quanto o mendigo à beira do caminho ou o
ladrão encima da árvore. Julgavam-se eles isentos da
Graça... Não estavam dispostos a expor-se e reconhecer
o quão carentes eram da Graça de Deus. Não
queriam reconhecer o quão pecadores eram.
Sim.
Em meio a toda aquela aglomeração de pessoas, o Mestre
se deteve, olhou para cima e disse: “Zaqueu,
desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa”
(Lucas 19:5). Sim. Em meio a bilhões de seres humanos, Ele
quer entrar na casa de cada um em particular e a mais profunda casa é
o coração. Assim Ele revelou a João em Patmos:
"Eis
que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz,
e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele
comigo" (Apocalipse
3:20)
Zaqueu
ouviu a maior convite de sua vida. Desceu e recebeu o Mestre em sua
casa, recebendo
também salvação e mostrando verdadeiros frutos
de arrependimento e conversão (Lucas 19:8). Lembram da
multidão? Daqueles que haviam reprimido o pobre homem à
beira do caminho? Mais uma vez, a multidão expressa a sua
verdadeira posição:
"E,
vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede
de um homem pecador" (Lucas
19:7)
Mas,
afinal, o que queria essa multidão? O que desejavam essas pessoas tão
afastadas do discernimento do verdadeiro Evangelho da cruz e da
graça? Tão desconectadas do real propósito da
vida e missão de Cristo, mas que mesmo assim seguiam a Jesus
Cristo?
3. O
CORAÇÃO DA
MULTIDÃO
Se fôssemos
transportados àquele dia em Jericó e perguntássemos
a cada componente daquela multidão o que realmente estavam
fazendo ali, todos responderiam: Estamos seguindo o Messias!
De fato, eles seguiram
o Senhor até Jerusalém e entraram na cidade prometida
com o Mestre. Eles estavam
fisicamente e exteriormente seguindo a Cristo.
Porém, tinham
uma compreensão equivocada a respeito da real missão
Dele. Eles esperavam que Jesus entrasse em Jerusalém,
destronasse Pôncio Pilatos, eliminasse os exércitos
romanos e até mesmo aniquilasse o próprio Império
Romano. Afinal, isso não seria difícil pra o Messias!
Ele, que havia curado cegos, levantado paralíticos,
ressuscitado pessoas, multiplicado alimentos e andado sobre as águas,
não poderia com um simples sopro destruir toda aquela opressão
que caía sobre o povo de Israel? Não era isso que as
profecias prometiam?
A
história
mostra que eles não discerniram o Espírito do
Evangelho. Na verdade, o que eles desejavam era lícito, mas as
intenções e o discernimento eram equivocados. Grande
parte daqueles que estavam no caminho de Jericó, que passaram
pela cidade de Zaqueu e entraram triunfalmente em Jerusalém
com Jesus Cristo, quando viram que o tão esperado Messias e
Rei dos judeus não estava assentado sobre o trono de Pôncio
Pilatos, mas era açoitado, cuspido, ridicularizado e afrontado
pelas forças do representante romano na Judéia,
começaram a fazer coro com um grito: Crucifica-o! Crucifica-o!
Sim. A maior
parte daquela multidão seguia o Mestre motivada apenas pelos seus
próprios interesses. Pensava que Jesus Cristo estava submisso
ao sistema de valores deste mundo. Aquelas pessoas sonhavam em
assumir, quem sabe, um alto escalão na nova administração
do Messias, receber a posse de terras, sentar-se como juízes
contra Roma e seu Império, receber riquezas, ocupar altas
patentes no exército do Messias, etc...
Se
uma multidão
de milhares seguia a Jesus nos momentos já citados, no
Gólgota, diante da cruz, vemos apenas uns poucos... Se na
entrada triunfal em Jerusalém milhares faziam festa, na
ascenção, no Monte das Oliveiras, apenas poucas dezenas
de galileus se encontravam ali para ver o Senhor subir aos céus.
Aquela multidão
professava seguir a Cristo, mas o coração dela seguia
um Jesus fabricado nas próprias mentes sedentas de poder,
afirmação social, fama e bem-estar já neste
mundo. Aquelas pessoas não haviam discernido a mensagem do
Evangelho de Cristo.
Se fizermos
uma viagem de volta a nossos dias, encontraremos ainda aquela multidão.
Sim! Pode acreditar. Ela não desapareceu...
O
grande erro da multidão é achar que, por ser multidão, é
um fim em si mesma. É enxergar na imponência numérica
o grande propósito. É basear seu prestígio na
grandeza institucional. É pensar segundo os valores deste
mundo e não de acordo com os valores do Reino.
Esse é o
mesmo espírito que ficou em evidência quando a multidão
censurou o sincero clamor do mendigo à beira do caminho ou a
verdadeira vontade do corrupto encima da árvore. É o
mesmo espírito que acusa o mendigo de “"atrapalhar"
os grandes propósitos e metas do Mestre...
É a mesma
multidão que, apesar de exteriormente expressa que crê
na Graça de Deus, faz acepção de pessoas,
classificando-as entre "aptas" e "não-aptas"
para receberem o Mestre em suas casas. É a petulância de
achar que, por um grupo de pessoas não estar inserido na
multidão, então esse grupo de pessoas não merece
a atenção do Mestre. A multidão tende a pensar
que, se alguém não está andando de acordo com
ela, então esse alguém está equivocado. A
multidão é corporativista, fisiologista e
institucionalista. Troca a Verdade pelos propósitos que ela
própria criou em seu coração.
A multidão pensa
que o Senhor Jesus se impressiona com quantidades, formas, títulos,
nomes e com opulência, quando na verdade Ele prometeu fazer-se
presente onde dois ou três estivessem reunidos em Seu nome
(Mateus 18:20). Quem caminha segundo os princípios da multidão
pode ser salvo, conhecer os ensinamentos do Senhor, ver milagres
ocorrer em seu meio, pessoas serem salvas e curadas no mesmo lugar
onde ela está, mas, mesmo assim, estar longe de andar bem e
direitamente conforme a Verdade do Evangelho (Gálatas 2:14).
A
multidão
afirma que, para ser Igreja é preciso ter um CNPJ, suntuosos
templos, aparência externa, liturgias, um nome para servir de
denominação, títulos eclesiásticos,
representantes políticos, grandes negócios e uma
atitude de constante conquista material e política.
A multidão olha
para os lados e diz: Vejam quanta influência política e
social temos! Somos milhões de pessoas! Podemos definir as
eleições e podemos ocupar os melhores lugares deste
mundo, é um direito nosso! Somos um segmento importante! Já
podemos destronar Pôncio Pilatos e o próprio César!
Se formos analisar sem preconceitos, esse é o mesmo espírito
daquela multidão que seguia a Jesus nos dias do mendigo e do
ladrão.
A
multidão
precisa discernir que o Reino de Deus não pertence a este
sistema mundano, o qual está com os dias contados. Precisa
entender que o Reino apenas se manifestará de forma concreta e
física na Terra quando o Rei dos reis voltar. Necessita
discernir que a Graça de Deus é multiforme (I Pedro
4:10) e, portanto, não pode ser uniformizada através do
institucionalismo. Precisa discernir que há vários
estágios na caminhada cristã e que devemos sempre
desejar andar bem e direitamente conforme a Verdade do Evangelho.
Precisa entender que Igreja não é um
lugar aonde a pessoa vai ou um nome que se lhe dá, mas é
um estado espiritual de pertencer a Cristo e o momento em que essa
comunhão em Cristo se expressa entre os irmãos. Igreja
é uma caminhada. É um corpo. É comunhão
com os irmãos e com o Pai.
Enquanto mais
afastados da multidão e mais próximos de Jesus estivermos,
estaremos mais perto dessa retidão na caminhada. O mendigo
cego deixou de viver em sua deplorável condição
de mendicância e cegueira. Foi curado e salvo. O ladrão
corrupto e insensível deixou sua vida de enganos e também
foi curado e salvo. No entanto, a multidão continuou sendo
apenas multidão...
A
boa notícia é
que a Graça de Deus alcança àqueles que, mesmo
em meio à multidão, clamam pelo Seu nome. Contudo, o
propósito do Senhor vai além de salvar o homem da
perdição eterna. Ele quer se relacionar como homem e
procura verdadeiros adoradores que estejam dispostos a abrir mão
das falsas premissas e sofismas da multidão, sempre tão
presa aos grilhões das tradições humanas, aos
lugares especiais de culto, aos "homens especiais" e ao
institucionalismo. Ele procura adoradores que O adorem em Espírito
e em Verdade.
"Disse-lhe
a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram
neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o
lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que
a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis
o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós
adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos
judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque
o Pai procura a tais que assim
o adorem.
Deus é Espírito, e importa que
os que o adoram o adorem em espírito e em verdade"
(João 4:19-24)
Maranata,
Jesiel Rodrigues
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Saiba
que o Senhor está no controle de tudo e de todos. Mesmo nos
momentos mais difíceis, Ele estará conosco. A nossa
salvação em Cristo é eterna. Nele, somos novas
criaturas. Ele já venceu a morte. O Senhor é o nosso
refúgio e fortaleza, socorro bem presente na tribulação.
Se você leu este artigo e ainda não tem a certeza da
salvação eterna em Jesus, faça agora mesmo um
compromisso com Ele! Convide-o para entrar em seu coração
e mostrar-lhe a verdade que liberta. Veja porque você precisa
ser regenerado e justificado, para viver a boa, perfeita e agradável
vontade eterna do Criador e estar firme Nele diante de qualquer
circunstância. Clique AQUI.
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