A
IGREJA E A POLÍTICA
Este
artigo está baseado em nosso programa da Rádio Projeto
Ômega veiculado entre 10/09/10 e 16/09/10. O
programa abordou a temática eleitoral, pois estamos às
portas de mais uma eleição no Brasil e esse fato, mais
do que nunca, está trazendo desdobramentos para a Igreja,
cujos membros vivem em sociedade e, queiram ou não, acabam
envolvidos nesse processo.
Este
artigo apenas transmite o que pensamos sobre o tema. Certamente, irá
ferir interesses humanos. No entanto, nosso interesse é o Evangelho.
É
um fato. Podemos ver, a cada eleição, uma participação
cada vez mais direta das instituições que se
denominam cristãs. Um envolvimento que se dá nas mais
variadas formas e variáveis... É amplamente conhecido
que a maior parte das denominações, principalmente
aquelas de maior notoriedade e fama, faz questão de ter seus
representantes oficiais e de aumentar esse número de
representantes a cada eleição. Algumas denominações
fazem disso uma de suas principais metas organizacionais. Outras,
não escondem que seu desejo é "tomar posse" dos territórios
através dos cargos executivos e
legislativos...
Não
há como negar. É comum ver e ouvir no horário
político alguém apresentando-se como "cristão", "pastor",
"bispo", "irmão",
etc, com o objetivo de destacar-se entre os demais candidatos e
expressar sua fé como instrumento de identificação
e influência junto ao eleitorado.
Diante
disso, surgem algumas questões. A Igreja deve envolver-se com
política? Essa é a missão e o propósito
do Corpo de Cristo?
Cremos
que a chave para responder essas questões é obtida
quando entendemos o que é Igreja. Quando discernimos que
Igreja não é uma instituição, uma
denominação ou um conjunto de mega-corporações
administrativas, mas é um Corpo Espiritual, começaremos
a discernir sobre a missão da Igreja e sua relação
com os processos sociais, dentre eles o político.
Por
sua vez, para saber com profundidade o que é Igreja, devemos
mergulhar primeiro nos princípios do Reino de Deus. Em nosso
site, inclusive, há um estudo que
aponta para essa questão.
O
Senhor Jesus veio implantar um novo Reino. Um Reino com padrões,
prioridades, objetivos e comportamentos totalmente inversos ao reino
que existe no mundo. A revelação de Cristo é
clara ao opor em todo momento os princípios deste mundo aos
valores de Seu Reino. Para Jesus, aquilo que é importante para
o mundo, não faz sentido para o Reino. O reino do mundo
baseia-se nos princípios do príncipe desta era. O Reino
de Deus se baseia nos princípios de Jesus Cristo.
A
missão deixada por Cristo à Igreja é representar
e propagar esse Reino, através da pregação do
Evangelho. Essa é a grande comissão. O Senhor não
deixou como missão para nós a transformação
do atual sistema, mas a pregação das boas novas do
Reino a cada criatura. A grande esperança estabelecida no
Evangelho é a volta de Cristo, para implantar de forma
concreta e gloriosa o Seu Reino sobre a Terra (Tito 2:13)
A
Igreja é, de certa forma, um Corpo diplomático agindo
em terras estranhas. Somos embaixadores do Reino num mundo decaído.
Logo, toda vez que a Igreja se envolve com o poder temporal deste
mundo, ela está fugindo de seu propósito fundamental
deixado por Cristo e abrindo suas portas para o erro.
O
que devemos fazer, como Igreja de Cristo, é orar pelas
autoridades e obedecê-las, até o ponto em que elas não
se coloquem contra os princípios do Reino de Deus.
Nosso
exemplo é Cristo Jesus. Em nenhum momento de Sua caminhada Ele
teceu conluios ou acordos com a classe política da época
para "facilitar" a Sua missão. Em nenhum momento
vemos Jesus sentando-se com os discípulos para lançar estratégias para
que eles tomassem ou influenciassem o poder político da época.
Não
vemos o Senhor incentivando Seus discípulos a terem como
objetivo alcançar altas posições políticas. A
verdadeira Igreja, ao contrário do que o sofisma afirma, não
precisa da ajuda política deste mundo!
Alguns poderão
argumentar: Mas Deus não levantou José no Egito ou
Daniel na Babilônia e na Pérsia? Sim, foram homens
levantados por Deus para momentos específicos, na Velha
Aliança, quando a revelação do Reino e seus
novos padrões e princípios ainda estavam ocultos e quando
Deus agia através de Israel a nível nacional.
Nada
contra um cristão desempenhar um cargo público ou
candidatar-se a um. É bom que tenhamos nesses cargos pessoas
que tenham princípios cristãos. A questão não
é essa. Não estamos falando disso...
Estamos
falando sobre o envolvimento institucional de grupos segmentados de
irmãos, grupos esses conhecidos como "denominações",
com a política humana. Estamos falando sobre a série de
manipulações que acontecem em muitas dessas
instituições com o objetivo de saciar a sede e a fome
de poder humano de seus líderes. Estamos falando de milhões
de pessoas sendo manipuladas e, pior, sendo manipuladas por líderes
que usam a Bíblia para esse fim. Em suma, estamos falando de
prostituição espiritual e apostasia.
Tudo
isso vem, em nosso entendimento, da errônea concepção
do que é Igreja. Temos abordado em alguns artigos na seção
EKKLESIA a enorme distância que há entre a experiência
de Igreja dos primeiros séculos e a experiência
comumente vista hoje.
Nesse
contexto, talvez o maior sofisma resultante desse flerte (e até
mesmo fornicação) entre instituições
religiosas e o poder político, é o que diz o seguinte: A
Igreja precisa, de certa forma, do poder político humano...
Este é um sofisma tão arraigado que muitos negam
seguí-lo, mas acabam curvando-se a ele de forma quase
imperceptível...
Cria-se
na mentalidade dos irmãos a ideia de que certos pecados
poderão ser combatidos ou freados através de leis...
Irmãos, o pecado não se combate com leis, mas com o
Evangelho. Apenas um coração transformado pelo poder do
Evangelho poderá deixar de viver em pecado. O homem pode fazer
milhões de leis, mas nenhuma delas terá poder sobre o
pecado. É óbvio que, se estiver ao nosso alcance, devemos
opor-nos, enquanto
cidadãos, a
leis e projetos de leis que são contrários aos
princípios da Palavra.
Não podemos ser coniventes com o erro. Porém, a forma
de atacar a prática pecaminosa é através do
Evangelho, nada mais do que o Evangelho! A Igreja não é
um partido político nem deve ser usada para atingir objetivos
políticos. Quem assim tentar fazer, dará contas ao
cabeça Dela.
Afirmar
que decisões e posturas políticas poderão lutar
contra as práticas pecaminosas que corroem o mundo é
uma infantilidade (se quem afirma isso tem um limitado conhecimento
do Reino) ou uma manipulação interesseira (se quem
afirma isso tem conhecimento do Reino). Afirmar isso é
posicionar-se contra a própria Palavra, mesmo se essa
declaração for feita de forma sutil...
Sabemos
que um abismo chama outro abismo. Um erro traz consigo outros erros
posteriores como consequência. Quando a Igreja começou a
afastar-se dos ensinamentos dos primeiros séculos e começou,
a partir do século IV, a flertar com o poder político,
começou o processo de apostasia que nós já conhecemos...
Que
não cometamos o mesmo erro! Que sejamos cidadãos
conscientes, cumpridores de nossas obrigações sociais e
políticas, dando a César o que é de César
e a Deus o que é de Deus. Nossa vida é Dele. Devemos
dar o que pertence a este sistema, até
o ponto em que isso não se contraponha com a nossa missão.
Importa antes agradar a Deus do que aos homens. Assim como o dar a
César o que era dele não parou a caminhada de Cristo
rumo a Seus propósitos, não deve impedir a nossa rumo
aos propósitos Dele. Vejamos quanto tempo e atenção
Jesus deu a César e quanto tempo e atenção deu
ao Reino e teremos o caminho ideal a seguir.
Que
tenhamos cuidado com as manipulações... Elas vêm
de todos os lados e de todas as cores... De todas as siglas e de
todas as vertentes... Na política não existe lado 100%
bom nem lado 100% ruim... Existem pessoas interessadas em chegar ao
poder, pessoas que farão e falarão praticamente
qualquer coisa para chegar lá... Se temos a mente de Cristo e
somos capazes de discernir as questões espirituais, será
que precisamos que alguém nos diga em quem votar ou em quem
não votar? Ou até mesmo se devemos votar ou não? Cada
um decida de acordo com a sua consciência em Cristo e cada um
responda pelas suas decisões.
Que não sejamos enganados nem manipulados...
Devemos,
em todo momento, ter em mente a visão de vida que Jesus teve.
Nossa prioridade e nossa missão é o Reino. Nosso ponto
de partida, de caminhada e de chegada é Cristo Jesus. Não
podemos nos enganar! Por mais que haja uma melhora aqui e outra ali,
esse sistema atual no qual vivemos jaz no maligno e está
condenado ao fogo (I João 5:19).
Que
haja em nós o mesmo Espírito que houve em Jesus, o
Senhor do universo, o Rei dos reis. Quando Ele foi questionado pela
autoridade política que estava bem diante Dele, o Mestre
disse:
"O
meu reino não
é deste mundo;
se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que
eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino
não é daqui" (João
18:36)
Nosso
reino não é deste mundo. Não podemos mudar o
rumo geral das coisas, pois elas estão determinadas pela
soberania de Deus. Esperamos algo infinitamente melhor e superior.
Assim como Jesus mostrou que não iria enviar Seu servos para
combaterem a fim de que Ele não fosse entregue aos judeus,
assim devemos abrir mão de qualquer tentativa de resolver as
coisas através dos esforços humanos e políticos.
Alguns
poderão me acusar de alienado. Se olharmos de acordo com a
ótica da lógica humana, sim, reconheço que estou
propondo ideais
alienadores. Sim.
De acordo com os padrões do reino deste mundo, eu estou sendo
alienado. Porém, sob a ótica da loucura do Evangelho,
creio que estou sendo coerente com os padrões do Reino que
Jesus instituiu. Padrões eternos de um Reino eterno. Não
um Reino mitológico ou alegórico, mas um Reino real o
qual, embora não seja agora visível, muito breve o será em
todo o mundo.
É
óbvio que, como cidadãos, enquanto o Reino Dele não
se manifesta, devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para
melhorar a sociedade em que vivemos. A
melhor forma de fazer isso é expressando os valores do Reino
em nossas vidas.
Porém, esforçar-se por transformar o mundo através
dos meios políticos é tentar ressuscitar humanamente um
corpo que já está em vias de decomposição
(I João 5:19). É preferir colocar as esperanças
num corpo semi-putrefato, já sendo levado ao caixão, e
rejeitar um Corpo eternamente vivificado, glorioso, sem rugas, santo
e irrepreensível (Efésios 5:27). Nossa missão é
pregar as boas novas do Reino e isso se dá num nível
relacional pessoal. Pregar o Evangelho a toda criatura. Quem crer e
for batizado, será salvo. Nossa missão é sermos
embaixadores desse Reino, amando o próximo como a nós
mesmos. Nossa missão diplomática se dá a nível
pessoal, não a nível estatal e político.
Enquanto
não houver transformação espiritual no homem,
através do novo nascimento em Cristo, de nada adiantarão
esforços políticos humanos... Quando o Reino estiver
sendo pregado e vivido pela Igreja, até mesmo a sociedade, nos
últimos estertores de sua agonia, será impactada pela
mensagem do Evangelho, como uma consequência natural, pois,
enquanto mais servos do Altíssimo num lugar, melhor será
aquele lugar para ser habitado e melhor será aquela sociedade!
Se nosso interesse pelo Reino e pela pregação das boas
novas ao pecador não for superior ao interesse gerado pela lei "x"
ou lei "y", estaremos tentando resolver
problemas espirituais com soluções humanas. Pecado não
se combate com leis, mas com o poder de Deus impregnado no
Evangelho...
O
Senhor Jesus disse a Pilatos, representante do Império Romano
na Judeia, que seu Reino não era daqui. Ele não é
daqui agora. Ainda não foi manifestado concretamente, podendo
ser vivido apenas espiritualmente. No entanto, o dia se aproxima em
que Ele, o Rei dos reis, pousará Seus pés no Monte das
Oliveiras e o seu Reino será daqui de forma completa.
É
isso que nós, como Igreja, enquanto embaixadores, devemos
anunciar, como Ele próprio anunciou. Essa é a
verdadeira esperança do mundo.
Em
Cristo,
Jesiel
Rodrigues
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Saiba
que o Senhor está no controle de tudo e de todos. Mesmo nos
momentos mais difíceis, Ele estará conosco. A nossa
salvação em Cristo é eterna. Nele, somos novas
criaturas. Ele já venceu a morte. O Senhor é o nosso
refúgio e fortaleza, socorro bem presente na tribulação.
Se você leu este artigo e ainda não tem a certeza da
salvação eterna em Jesus, faça agora mesmo um
compromisso com Ele! Convide-o para entrar em seu coração
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