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ARGUMENTOS AMILENISTAS

 

 

 

A seguir, abordaremos alguns argumentos a-milenistas, comentando as passagens comumente usadas por esse modelo para embasar suas argumentações. Para aqueles que ainda não conhecem, o modelo a-milenista ensina que não haverá um reinado de mil anos imediatamente após a volta de nosso Salvador. De acordo com os que seguem esse modelo interpretativo, o Milênio deve ser entendido de forma figurada e representa a presença e atuação da Igreja em nossa era atual.

 

Nós nos opomos a essa crença e acreditamos que haverá um Milênio literal logo após a volta do Senhor Jesus, tal qual é profetizado em Apocalipse 20:4-6. Como todo o material deste site, este tópico não visa tecer comentários infalíveis nem irrefutáveis. Objetivamos sim dar aos nossos leitores uma ampla gama de informações, para que cada um possa fazer suas comparações e decisões próprias.

 

ARGUMENTO 1: II PEDRO 3:10

 

"Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão"

 

Este é um dos textos que servem como base argumentativa do amilenismo. Nele, o apóstolo Pedro associa diretamente o Dia do Senhor com a dissolução dos elementos que compoem nosso universo, incluindo a Terra. Com respeito ao "Dia do Senhor", cremos que o termo se refere exclusivamente ao dia da gloriosa volta de Cristo (para maiores informações, acesse o tópico DIA DO SENHOR). Porém, não acreditamos que o texto em questão possa ser usado como prova incontestável da inexistência do Milênio.

 

O mesmo apóstolo, versículos antes, mostra a soberania do Senhor sobre os tempos proféticos. No versículo 8, Pedro cita Salmos 90:4, onde Davi expressa que, para o Criador, mil anos são como um dia. Se formos nos ater à aplicabilidade desse versículo no contexto, perceberemos que o texto de II Pedro 3:10 não pode ser usado como prova incontestável de que não haverá um Milênio ou como prova de que tal período realmente ocorrerá.

 

Quando vemos as profecias bíblicas e sua concretização posterior, percebemos que nem sempre profecias narradas num mesmo contexto se cumprem de uma só vez. Muitas vezes, a concretização profética é progressiva. Um exemplo disso: em Isaias 11:1, o profeta narra "o brotar do rebento do toco de Jessé", numa clara alusão ao nascimento de Jesus, milhares de anos depois. Ao ler o restante do capítulo, principalmente dos versículos 5 a 16, vemos que o profeta revela uma realidade que ainda não se concretizou literalmente na primeira vinda do Ungido, mas que tem um momento certo para cumprir-se. Vejamos um trecho da passagem:

 

"Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar. E acontecerá naquele dia que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelos gentios; e o lugar do seu repouso será glorioso" (Isaias 11:9-10)

 

Cremos que essa profecia ainda se cumprirá. Porém, o profeta Isaias a coloca dentro do contexto do "brotar do rebento". Para um leitor que vivesse 700 anos antes do nascimento e ministério terrestre de Jesus, essa profecia, pela lógica, deveria se cumprir literalmente no tempo do nascimento de Cristo. Essa era a expectativa que havia em Israel quando o Messias começou a anunciar o evangelho. Aquelas pessoas que tinham lido e estudado as profecias messiânicas, esperavam o total cumprimento delas já naquele tempo. Não atentaram para a progressividade do plano do Senhor para a humanidade.

 

O que fica patente então, é que nem sempre eventos profetizados num mesmo contexto, ocorrerão no mesmo tempo cronológico. Cremos que esse mesmo princípio se aplica ao que foi escrito pelo apóstolo Pedro em II Pedro 3:10. Quando ele escreveu sua segunda carta, o Milênio ainda era um mistério não revelado. Só seria revelado anos depois a João em Patmos. De acordo com essa revelação posterior (Apocalipse 20:1-15), haverá um período intermediário, denominado Milênio. Se para o Altíssimo um dia é como mil anos, então o Dia do Senhor poderá se prolongar em seus efeitos por um período muito mais abrangente do que um dia cronológico...

 

ARGUMENTO 2:   I CORÍNTIOS 15:25-26

 

"Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte"

 

Esse texto também se relaciona com o seguinte:

   

"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória" (I Coríntios 15:51-54)

   

Tomando como base essas duas passagens, o modelo a-milenista associa o momento da vinda de Jesus, com a conseqüente glorificação dos salvos, ao momento culminante do juízo final, quando a morte e o hades serão jogados no lago de fogo (Apocalipse 20:14). Também, o modelo a-milenista sustenta que Jesus neste momento exerce seu reino à destra do Pai e que, por ocasião da sua volta, entregará o domínio ao Pai (I Coríntios 15:24).

 

Para ter uma melhor compreensão do teor dessas passagens, é interessante ter uma noção do que é o "reino de Jesus", quais as profecias relacionadas a esse reino e qual era a expectativa da igreja primitiva a respeito. Pedro, em sua primeira pregação, ocorrida no dia de Pentecostes (Atos 2:14-36), se refere à promessa feita pelo Eterno a Davi, registrada em Salmos 89:3-4.

 

O mesmo Pedro certamente estava entre aqueles que perguntaram ao Mestre, momentos antes da ascensão, quando seria restaurado o reino de Israel. É bastante revelador que, mesmo após mais de três anos de convívio com o Mestre, após receberem o sopro do Espírito, eles tivessem essa esperança "pré-milenista". O Senhor não recriminou ou reprovou essa esperança literal dos apóstolos e discípulos, mas deixou claro que os tempos proféticos pertencem à soberania do Pai (Atos 1:7). Em outras palavras, o Mestre disse que não competia a eles saber quando seria concretizada aquela esperança, mas em nenhum momento negou ou recriminou tal esperança.

 

Então, quando o apóstolo discursa e se refere a essa promessa feita a Davi, coloca a ressurreição como ponto inicial de concretização dela, porém não negando sua literalidade futura. Pedro esperava que o reino de Israel fosse restaurado e que Jesus se assentaria literalmente sobre o trono de Davi. Afinal de contas, foi o próprio Mestre quem prometeu a ele e a seus companheiros que eles se assentariam em tronos e julgariam as doze tribos de Israel, quando Ele próprio se assentasse no torno de Sua Glória!:

 

"E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel" (Mateus 19:28)

 

Consequentemente, entendemos que o reino do Senhor não está temporalmente restrito aos céus. Muito pelo contrário. A concretização física e literal do reino do Senhor se dará logo após sua vinda, quando Ele virá como Rei e Juiz (Apocalipse 19:15-16), e se assentará no trono da sua glória (Mateus 19:28, Mateus 24:31).

 

Aqui vemos também uma questão progressiva. Primeiro, os reinos são realmente destruídos (Apocalipse 11:15, Daniel 7:9-11, etc). Porém, entendemos que às nações derrotadas lhes será dada uma prolongação após a derrota (Daniel 7:12), que haverá sobreviventes ao final da tribulação (Zacarias 14:16, Ezequiel 36:33-36) e eles serão regidos por Jesus, o qual literalmente se assentará no trono da Sua glória (Mateus 19:28), restaurando o reino de Israel, como aguardavam os apóstolos, e cumprindo literalmente a promessa feita a Davi. Logo após esse período, descrito no Apocalipse como um reino de mil anos, virá o juízo sobre o diabo e a destruição da própria morte.

 

A respeito do momento da destruição da morte, note que Paulo descreve a derrota da morte sob uma perspectiva exclusivamente daqueles que serão glorificados. Não cremos que em I Coríntios 15:51-55, o apóstolo esteja se referindo à destruição da morte de forma generalizada, mas sim a sua aniquilação sobre os servos do Eterno, os quais já não mais a experimentarão a partir da glorificação. Todo o contexto do capítulo gira em torno da esperança de incorruptibilidade para os que crêem. Entendemos que a única vez que Paulo se refere à destruição geral da morte em I Coríntios 15 está no versículo 26: "Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte". Note a palavra "último". Isso indica uma ordem, constando, mais uma vez, a progressividade da atuação do Senhor através de seu plano.

 

ARGUMENTO 3: JOÃO 5:28-29

 

"Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a resurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação"

 

Este texto, também encontra paralelo no livro de Daniel:

 

"E muitos dos que dormem no pó da terra ressucitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno" (Daniel 12:2)

 

Devemos ter em mente que a revelação do plano do Senhor à humanidade é progressiva. Nem todos os detalhes proféticos são revelados de uma só vez. Isso se aplica à ressurreição. Até o momento da revelação apocalíptica, a noção que os judeus tinham é que a ressurreição de todos ocorreria no mesmo instante. Então, declarações como a do Mestre em João 5:28-29, eram compreendidas como se estivesse abordando um único evento no tempo.

 

Ao examinar detalhadamente o que foi dito pelo Salvador em João 5:28-29, não vemos que o Ele revela que a ressurreição para a vida e aquela para a condenação se darão ao mesmo tempo nem num prazo de 60 minutos (1 hora). O que Jesus diz é que em ambos os casos, os mortos obedecerão sua voz de comando. O próprio Mestre faz uma diferenciação entre ambas ressurreições. Uma será para vida e a outra para a condenação.

 

Na detalhada revelação dada a João em Patmos, o Ungido revela que a ressurreição de todos os mortos de todas as épocas, considerando sua condição espiritual de justificados ou não, não ocorreria ao mesmo tempo. No Apocalipse vemos claramente a distinção entre a primeira ressurreição e a segunda ressurreição. A primeira se refere aos salvos, os quais reinarão com Jesus e serão sacerdotes (Apocalipse 20:4-6). A segunda se refere ao juízo final, logo após o Milênio (Apocalipse 20:13).

 

Porém, muito antes da revelação apocalíptica ser escrita por João, o próprio Ungido já havia se referido à ressurreição dos justos (Lucas 14:14). Já o apóstolo Paulo, divinamente inspirado, escreve à Igreja em Corinto que durante a vinda de Jesus os que são de Cristo serão vivificados, recebendo corpos glorificados (I Coríntios 15:23).

 

ARGUMENTO 4:  LUCAS 17:26-27

 

"E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos"

   

O texto acima parece descrever uma destruição total da Terra e seus habitantes por ocasião da vinda de Cristo. Porém, o propósito de Jesus na ocasião não era narrar o que ocorreria com o planeta Terra por ocasião de sua vinda e sim qual seria o clima de espera para essa vinda. Jesus revelou que haveria, a exemplo dos dias de Noé e , um descaso generalizado diante das promessas e avisos divinos e uma decadência moral profunda.

 

Em nenhum momento do texto citado o Senhor se refere à destruição ou aniquilação do planeta Terra por ocasião de Sua vinda. Ele traça um paralelo com os dias de Noé para mostrar que haveria um descaso semelhante e que a consequência sobre aqueles que não fazem caso das promessas divinas é a morte.

 

ARGUMENTO 5:  ROMANOS 2:5-16

 

"Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, o qual recompansará cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer o bem, procuram glória, e honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, e desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal, primeiramente ao judeu e também ao grego; glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem, primeiramente ao judeu e também ao grego; porque, para com Deus, não há acepção de pessoas...No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho."

 

Este texto é usado comumente pelo a-milenismo para indicar que o juízo final ocorrerá num determinado dia, abrangendo tanto os salvos como os ímpios.

 

Cremos que aqui é necesário diferenciar o que ocorrerá no Dia do Senhor (dia da volta de Jesus), e tudo o que ocorrerá como consequência dessa volta. Não acreditamos que as consequências posteriores a esse dia não possam ser compactadas dentro de um período de 24 horas. De forma alguma podemos comprimir a atuação divina dentro de nossos conceitos temporais. Note que, profeticamente, um dia para o Senhor é como mil anos e vice-versa (II Pedro 3:8).

 

Entendemos que há etapas dentro do plano do Senhor que precisam ser concretizadas. Por exemplo, na questão "ira" podemos ver isso claramente. Nos últimos momentos tribulacionais, vemos parte da ira do Senhor sendo derramada sobre a humanidade (Apocalipse 16:1-21). Logo após, no momento da vinda, vemos o Senhor pisando o lagar da ira do Altíssimo no Armagedom (Apocalipse 19:15). Mas, ao mesmo tempo, vemos que até mesmo entre as nações que subirão contra Jerusalém no Armagedom, haverá sobreviventes (Zacarias 14:16, Ezequiel 36: 33-36), os quais continuarão vivendo sob o reino de justiça do Senhor, o qual regerá as nações com plena justiça (Apocalipse 19:15). As profecias devem ser entendidas como um corpo completo. Se fôssemos compactar a execução da ira e do juízo do Senhor num período de 24 horas (um dia), então tais profecias sofreriam descrédito.

 

Consequentemente, entendemos que a partir da revelação de Jesus (vinda), a revelação do pleno juízo do Pai será concretizado sobre a humanidade, chegando ao clímax desse pleno exercício do juízo no trono branco (Apocalipse 20:11-15).

 

ARGUMENTO 6: MATEUS 24:29

 

"E, logo depois da aflição daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências do céu serão abaladas"

 

O texto de Mateus 24:29, a exemplo de Apocalipse 6:12-17, narra eventos que caracterizam os momentos imediatamente anteriores à volta de Jesus. Ao comparar esses registros aos dos profetas do Antigo Testamento, os quais profetizaram abundantemente sobre o "Dia do Senhor", vemos que sinais cósmicos fazem parte dos momentos anteriores a esse dia.

 

O sol e a lua escurecendo são dois sinais característicos para saber que tal Dia está próximo, tal qual revela Jesus na passagem em questão. Isaias e Joel mencionam claramente esse detalhe (Isaias 13:10, Joel 2:10,31). Isaias é mais detalhista, ao afirmar que, momentos antes esse accontecimento (Dia do Senhor), a Terra se moverá do seu lugar (Isaias 13:13). Por outro lado, vemos durante o período tribulacional, corpos celestes e cósmicos (provavelmente asteroides ou meteoritos) caindo sobre o planeta (Apocalipse 8:7-13).

 

Fica patente então que os dias que antecederão a vinda do Senhor trarão uma comoção generalizada sobre a Terra e sobre todo o universo. Paulo, em sua carta aos romanos, escreve que toda a criação geme com dores de parto e aguarda com ardente expectativa a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8:19).

 

Tais comoções tribulacionais (as quais ocorrerão em plena tribulação), não podem ser confundidas com aquelas que farão parte da criação dos novos céus e nova Terra. Em primeiro lugar, porque tais eventos ocorrerão durante a tribulação e cessarão diante da manifestação de Jesus e Seus servos (Romanos 8:19). Note que Paulo fala que a criação atual, e não uma nova criação, aguarda com expectativa a manifestação de Cristo e seu servos. Em segundo lugar, relacionar a vinda de Jesus com a imediata criação de novos céus e nova Terra, não condiz com muitas promessas vetero-testamentárias. Textos como Joel 2:3, Joel 2:22-27, Zacarias 14:8-21, Isaias 11:2-10, Ezequiel 36:33-36 Ezequiel 47:8-12, entre outros, deixam implícito que a Terra e as nações continuarão existindo após a vinda do Mestre.

 

Um exemplo claro disso é passagem de Zacarias 14:16-21, no qual o profeta revela que mesmo entre as nações que subirem contra Jerusalém haverá sobreviventes, os quais viverão sob o domínio do Senhor. Se fôssemos explicar essa passagem de acordo com o modelo a-milenista, então teríamos que escolher uma dessas opções: ou entre as nações que subirão para guerrear contra Jerusalém estarão nações compostas por cristãos, e eles, pelo simples fato de pertencerem a nações que subirão contra Israel no Armagedom, e apesar de serem salvos e glorificados na vinda do Senhor, serão governados com vara de ferro por Jesus, podendo sofrer penas como a cessação da chuva (Zacarias 14:17), ou integrantes de nações que subirão contra Jerusalém que, mesmo não havendo nascido de novo, serão glorificados e viverão na nova Terra, sendo governados com vara de ferro por Jesus...

 

As duas opções se mostram desprovidas de sensatez e comunhão com as Escrituras! Mostra-se muito mais sensato e equilibrado, levando em consideração as promessas vetero-testamentárias, afirmar que haverá um período entre a volta de Jesus e a criação dos novos céus e nova Terra, no qual Ele reinará literalmente sobre as nações. Esse período, de acordo com Apocalipse 20:4-6, durará mil anos.

 

ARGUMENTO 7: APOCALIPSE 19:21

 

"E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes"

 

Esta é mais uma passagem utilizada pelo a-milenismo para indicar que a volta do Senhor trará o término total de todas as nações, instaurando o juízo final e a criação de novos céus e nova Terra, imediatamente depois da volta de Jesus. Mas, será que é isso que a Palavra mostra?

 

Notemos que uma das promessas deixadas às igrejas apocalípticas, que são figuras de todas as igrejas, é a de exercer autoridade sobre as nações, com vara de ferro (Apocalipse 2:26-27). Ora, se todas as nações e o planeta em si serão destruídos por ocasião da volta de Jesus, como afirma o a-milenismo, que nações são essas sobre as quais os salvos exercerão autoridade "com vara de ferro"? Será que membros da Igreja exercerão domínio sobre outros membros com "vara de ferro"? Sinceramente, cremos que não...

 

O próprio contexto de Apocalipse 19:21 indica que o Messias, a partir de momento de sua volta, governará as nações (Apocalipse 19:15), fazendo incongruente qualquer afirmativa de aniquilação completa das nações no momento da volta do Mestre. Até mesmo para Israel, como nação, já há um tribunal preparado pelo Senhor, composto de Seus discípulos (Mateus 19:28).

 

Ao comparar Apocalipse 19:15-21 com Zacarias 14:12-15, vemos que essa destruição descrita na revelação apocalíptica, ocorrerá em função da derrota dos exércitos do anticristo no Armagedom. Pelas razões dadas anteriormente e diante de dezenas de profecias vetero-testamentárias descrevendo "nações" e "povos" durante o reino do Senhor, torna-se temerário afirmar que todas as nações serão aniquiladas no momento da vinda de Cristo.

 

ARGUMENTO 8:   MATEUS 13:37-40

 

"E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do homem; o campo é o mundo e a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo, que o semeou, é o diabo, e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo"

 

Este texto é usualmente citado pelo a-milenismo, sob o argumento de que a separação entre o joio e o trigo ocorrerá no fim do mundo, situando essa separação já na ante-sala da nova Terra. Em outras palavras, o modelo a-milenista afirma que essa separação entre joio e trigo é uma descrição do juízo final.
 
Quando vamos ao original grego do textus receptus, verificamos que o termo grego usado para "mundo" nos versículos 39 e 40 dessa passagem é "aeón", o qual se refere a era, período ou até mesmo sistema, e não ao mundo físico ou planeta. Neste último caso deveria ser usado o termo "kosmos". O interessante é que o termo kosmos também é usado nessa passagem, porém apenas quando o Senhor descreve o mundo (planeta) como "um campo".

 

Para uma melhor compreensão do que significa aeón, podemos citar II Coríntios 4:4, onde o apóstolo Paulo identifica satanás como "o deus deste mundo/século" (aeon). Não significa que satanás é o deus deste kosmos (planeta), mas que ele exerce seu domínio maligno sobre os sistemas mundiais e sobre os pensamentos e decisões humanas decaídas (aeón).

 

Então, o texto de forma alguma aponta para o momento da destruição da Terra, com a subseqüente criação da nova Terra, mas refere-se ao término de um período ou sistema. Nesse contexto, a posição mais sensata, em nosso entendimento, é associar essa separação entre joio e trigo ao fim desse atual sistema maligno, com a vinda de Jesus, derrota da besta e falso profeta e o juízo sobre as nações, descrito em Mateus 25:31-46, o qual ocorrerá logo após a vinda de Jesus. Tal juízo difere enormemente do juízo final, como abordamos no tópico MILÊNIO.

 

              

ARGUMENTO 9: JOÃO 6:38-39

 

"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia"

 

Sem dúvidas, Jesus se refere nesta passagem à ressurreição dos justos (Lucas 14:14). Porém, é necessário focar nossa atenção na expressão "último dia".

 

O Senhor, após o dilúvio, promete a Noé e família que "enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão..." (Gênesis 8:22). Quando vemos passagens como Miquéias 4:1-4, Isaías 11:1-12 e Zacarias 14:8, fica a constatação que as atividades relacionadas à duração dia/noite continuarão após a vinda de Jesus (agricultura, chuvas, verão, inverno, etc). Até mesmo já na Nova Jerusalém, ou seja, na nova Terra após o juízo final, vemos que a árvore da vida dará seus frutos de mês em mês (Apocalipse 22:2), o que pressupõe a existência de dias. Conseqüentemente, é mais prudente entender que Jesus estava se referindo ao "final dos tempos" ou "consumação dos séculos" quando se referiu ao "último dia", já que fica patente que os dias continuarão existindo mesmo após a vinda de Jesus.

Para sua meditação, deixamos essa passagem de Isaias:

 

"E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros, e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. E julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear" (Isaias 2:2-4).

 

Compare com Miquéias 4:1-4, Apocalipse 19:15, Ezequiel 36:33-36, Isaias 11:1-12 e Zacarias 14:1-21. Para maiores informações a respeito do tema "Milênio", acesse o tópico COMENTÁRIO 03. Para ter acesso a nosso estudo principal sobre o Milênio, clique AQUI.

 

Outra possibilidade de interpretação para essa passagem nos foi enviada pelo irmão Sandro de Souza Oliveira. Agradecemos ao nosso irmão Sandro por essa preciosa colaboração. Ele aponta em seu estudo que a mesma expressão eschatos emera usada na passagem de João 6:39-40, referindo à ressurreição no último dia, em João 7.37 se refere ao grande dia da festa dos tabernáculos, ou seja, o principal dia dessa festa que durava oito dias (Números 29:12-38).

 

A questão é que durante os sete dias primeiros dias, antes do oitavo dia final, um sacerdote trazia água num cântaro de ouro do tanque de Siloé, e então, acompanhado de um cortejo jubiloso, seguia até o templo, onde, diante do altar, despejava água numa bacia sobre aos pés do altar, juntamente com vinho, ao mesmo tempo que a cerimônia toda era acompanhada pelo cântico de "Halel" (Salmos 113 a 118).

 

Essa cerimônia comemorava a provisão de água, dada pelo Eterno, quando a rocha foi ferida por Moisés. Era também uma oração por chuva, para que houvesse colheitas fartas no ano seguinte. Portanto, as palavras de Jesus "...Se alguém tem sede, venha a mim e beba...", foram faladas no último dia (eschatos emera), o grande dia da festa, que na realidade não era, sob um aspecto definitivo, o último dia da festa e nem significava que nunca mais haveria outras festas do tabernáculo...

 

Eis a grande razão porque a expressão "último dia" não pode ser usada para ensinar que não haverá outros dias após este "ultimo dia" no qual ocorrerá a ressurreição dos justos.

 

 

Em Cristo,

 

Jesiel Rodrigues

 

[Texto revisado e atualizado em 29/07/10]

 


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