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O TEMPLO

 

 

 

Quando falamos de "templo", temos que entender sua abrangência espiritual no contexto bíblico. A Palavra revela que o templo terrestre, cuja forma primordial foi o tabernáculo, é uma figura de coisas celestiais. O autor do livro aos hebreus expressa assim a relação entre o tabernáculo, construído nos tempos de Moisés, e as coisas celestes, no contexto do ministério sacerdotal e redentor de Jesus:  

"Ora, se ele estivesse na terra, nem seria sumo sacerdote, havendo já os que oferecem dons segundo a lei, os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais, como Moisés foi divinamente avisado, quando estava para construir o tabernáculo; porque lhe foi dito: faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou" (Hebreus 8:4-5)  

Ainda revelando a Palavra do Senhor sobre o ministério sacerdotal de Jesus, o autor da epístola aos hebreus afirma:  

"E quase todas as coisas, segunda a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as coisas celestiais com melhores sacrifícios do que estes. Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparece por nós perante a face de Deus" (Hebreus 9:22-24)  

Vemos que existe uma relação simbólica entre o templo e as coisas celestiais. É importante notar que Jesus se referiu ao Templo em Jerusalém como "Casa do Pai". Isso ocorreu quando Ele tinha doze anos (Lucas 2:49) e depois de Seu batismo (João 2:16). Sabemos que nós, enquanto novas criaturas em Cristo Jesus, somos templos do Espírito Santo (I Coríntios 6:19) e que o Senhor não habita em templos feitos pelas mãos de homens (Atos 7:48). Porém, é inquestionável o simbolismo profético que existe entre o Templo de Jerusalém e a Nova Jerusalém, que será a morada do Altíssimo e Seus servos na Terra para sempre:  

"Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro" (Apocalipse 21:22)

Dentro do plano de Pai para Sua criação há etapas que precisam ser cumpridas. Entendemos que o Templo de Jerusalém, destruído no ano 70 d.C, será reconstruído em algum momento antes do início da tribulação final, devido ao tratamento exclusivo do Senhor com a nação israelense e à concretização do reino milenal de Jesus em Jerusalém. O mesmo João que narra a existência de santuário em Jerusalém nos tempos da grande tribulação (Apocalipse 11:1-2), se adianta em dizer que na Nova Jerusalém não tinha visto santuário... 

Respeitamos aqueles que não crêem na reconstrução do Templo em Jerusalém, afirmando que o anticristo se assentará no santuário do Eterno de uma forma alegórica, porém daremos aqui alguns motivos, além dos já mencionados, que nos levam a crer na literalidade física desse fato e na reconstrução do Templo judeu em Jerusalém.  

 

MENTALIDADE JUDAICA  

 

Quando Jesus relatou a Seus discípulos de forma pormenorizada os principais eventos que deveriam ocorrer antes de Sua volta, Ele mencionou um grande sinal que, dentro da narrativa do Mestre na ocasião, ocupa uma posição central, servindo de elo entre os eventos abrangentes relacionados ao mundo e à Igreja e aqueles que antecederão Sua volta, logo após grande tribulação (Mateus 24:29). Esse sinal é um evento específico denominado "abominação da desolação":  

"Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação da desolação predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda)" (Mateus 24:15) 

Ao citar a expressão "abominação da desolação", Jesus não usou uma expressão desconhecida por Seus interlocutores. O profeta Daniel, séculos antes, tinha descrito o que seria a abominação da desolação:  

"E estarão ao lado dele (do anticristo) forças que prostrarão o santuário, isto é, a fortaleza, e tirarão o holocausto contínuo, estabelecendo a abominação da desolação" (Daniel 11:31)  

Fica claro que Jesus estava se referindo à profecia revelada a Daniel. Até mesmo a expressão "quem lê, entenda", se refere ao livro do profeta Daniel. Ao ser indicada a leitura da profecia de Daniel para entendimento do que seria a abominação da desolação, fica claro que o evento citado ocorreria de acordo com os detalhes fornecidos por Daniel. Consequentemente, levando em consideração o contexto gramatical e histórico de Mateus 24:15, Jesus revela aos discípulos que a abominação da desolação mencionada por Ele seria aquela descrita pelo profeta Daniel. Uma abominação que ocorreria após ser prostrado o santuário e retirado o holocausto contínuo (Daniel 11:31). Caso o Ungido estivesse se referindo aqui a um santuário e a holocaustos espirituais e/ou alegóricos, não teria sido indicada a leitura do livro de Daniel. 

Por outro lado, a mentalidade que os discípulos que ouviram o sermão profético de Jesus tinham, era a única possível naquele momento: o santuário e o holocausto contínuo se referiam ao Templo em Jerusalém! Não é sensato presumir que os discípulos entenderam que Jesus estava alegorizando a aplicabilidade da abominação da desolação. Portanto, de acordo com o entendimento que os discípulos tinham naquela ocasião (Mateus 24:15) e de acordo com a indicação feita para que o termo fosse entendido de acordo com o que estava escrito no livro de Daniel, cremos que a posição mais coerente é sustentar que Jesus, ao referir-se à abominação da desolação, estava se referindo à prostração (profanação) do santuário, à retirada do holocausto contínuo no Templo em Jerusalém e ao estabelecimento nele de algo imundo.  

Alguns sustentam que tal abominação da desolação já ocorreu em 70 d.C, por ocasião da destruição do Templo. Porém, uma correta análise do contexto nos indica que esse evento ocorrerá no futuro. Jesus relaciona o evento em si (abominação) com o sofrimento que virá sobre o mundo a partir daquele evento (abominação) e daquele lugar (Jerusalém). O Mestre revela que esse sofrimento será "uma aflição tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá" (Mateus 24:21). 

A menos que a grande tribulação seja menos rigorosa que o sofrimento de 70 d.C (idéia desprovida de sensatez), podemos concordar com essa idéia preterista. Outro argumento fortemente contrário ao preterismo da abominação da desolação é que Jesus revela que Sua volta será logo após a aflição daqueles dias, aflição essa originada a partir da abominação da desolação...  

De acordo com essas razões, e outras que detalharemos nos próximos pontos, cremos na concretização futura da abominação da desolação, a qual ocorrerá no Templo em Jerusalém devidamente reconstruído.  

 

BASES ESCRITURÍSTICAS


Logo após alertar seus discípulos a estar atentos à abominação da desolação como um dos sinais que antecederiam Sua volta, Jesus relata as conseqüências provocadas por este ato maligno do anticristo:  

"...Então os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado" (Mateus 24:16-20).  

Fica claro que a abominação da desolação ocorrerá num dia específico e num lugar específico e que esse ato ocasionará a grande tribulação. Enquanto ao dia, o Senhor pede para que os discípulos orem para que este dia não seja sábado, deixando claro que ocorrerá num dia literal. No aspecto de localidade, é preciso atentar que Jesus descreve as primeiras conseqüências da abominação da desolação, a qual acarretará uma perseguição ao povo do Eterno a partir de Jerusalém, se expandindo por todo o planeta. Esses conceitos (dia e localidade) são preciosos para entender a literalidade da abominação da desolação como algo que ocorrerá num dia e num local específico, colocando como opção mais sensata para o local de tal abominação o Templo.  

Paulo, em sua segunda carta aos tessalonicenses, obedece à ordem dos eventos mencionada por Jesus, os quais antecederão o Dia do Senhor. O apóstolo cita dois grandes sinais que antecederão o regresso do Salvador e nosso encontro com Ele: apostasia e revelação do anticristo (II Tessalonicenses 2:3). Os mesmos já haviam sido revelados por Jesus no sermão profético: esfriamento espiritual por parte de muitos (Mateus 24:12) e a abominação da desolação (Mateus 24:15). Portanto, há uma estreita submissão de Paulo às revelações do Mestre em Mateus 24. Neste contexto, ao mencionar a abominação da desolação, Paulo dá detalhes de como e onde ocorrerá isso, ao descrever como será a revelação do anticristo como tal:  

"Aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus" (II Tessalonicenses 2:4)

 Mais uma vez, vemos uma notória prova da mentalidade que nossos irmãos primitivos tinham a respeito do que é abominação da desolação. O anticristo se assentará no santuário do Pai (Templo), apresentando-se como Ele, ou seja, reivindicando adoração mundial (Apocalipse 13:8). Negar a literalidade do termo "santuário" na passagem da carta aos tessalonicenses, é negar o visível sincronismo entre o sermão profético de Jesus e a epístola paulina. 

Também é sustentar uma sutil incongruência: se Paulo deixa claro que o filho da perdição, aquele que se assenta no santuário, é uma pessoa (chamado de "iníquo" nos versículos 8 e 9), e se essa pessoa literal será revelada "ao seu próprio tempo" (versículo 6), então, como alegorizar o local onde ele se assentará, apresentando-se como "deus"? Por último, em plena tribulação, vemos o santuário, o altar e o átrio sendo citados na revelação apocalíptica:  

"Foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e foi-me dito: Levanta-te, mede o santuário de Deus, e o altar, e os que nele adoram. Mas deixa o átrio que está fora do santuário, e não o meças; porque foi dado aos gentios; e eles pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses" (Apocalipse 11:1-2)  

Cremos que não há razões para alegorizar a concretização da abominação da desolação. De acordo com o entendimento judaico, dos primeiros discípulos e da interpretação literal das profecias, a abominação desoladora profetizada por Daniel e confirmada por Jesus, ocorrerá no Templo em Jerusalém pouco antes da volta do Senhor.


TESTEMUNHO DOS LÍDERES PRIMITIVOS


Sempre é salutar saber qual era o entendimento de nossos irmãos primitivos a respeito das questões polêmicas que corriqueiramente são levantadas. Eles tinham uma grande proximidade com os apóstolos e, em alguns casos, com o próprio Jesus. A Palavra do Altíssimo nos revela tudo aquilo que precisamos saber. A interpretação das questões bíblicas, no entanto, deve ser feita de forma criteriosa e espiritual. 

Por isso, sempre é bom saber o que ensinavam e pensavam homens e mulheres que tiveram contato direto com os apóstolos e obtiveram deles ensinamentos orais que não estão registrados na Palavra. Irineu (120-202 DC), discípulo de Policarpo, que, por sua vez, foi consagrado pelo apóstolo João na igreja em Esmirna, descreve assim seu entendimento sobre algumas questões escatológicas:  

"...Porém, agora ele indica o número do nome, para que quando este homem venha possamos precaver-nos, estando alerta a respeito de quem ele é...Porém, quando este anticristo tenha devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por 3 anos e 6 meses, e se sentará no templo de Jerusalém; e quando o Senhor vier nas nuvens dos céus, na glória do Pai, enviará este homem e a seus seguidores ao lago de fogo; restaurando os tempos de bem-estar e justiça no reino, que é, o descanso, o sétimo dia sagrado; e restaurando a Abraão a herança prometida, no reino que o Senhor declarou, no qual muitos virão do este e do oeste e se sentarão com Abraão, Isaque e Jacó" (Extraído de Contra as Heresias, Livro V, XXX)  

Vemos então que, mesmo após a queima e destruição do Templo em Jerusalém (70 d.C), Irineu, representando grande parte do entendimento escatológico da época, sustentava no século II que o anticristo se sentará no templo em Jerusalém, dando uma interpretação literal a textos como Daniel 11:31, Mateus 24:15 e II Tessalonicenses 2:4. Seguimos essa mesma linha literalista, claramente exposta nos tratados de nossos irmãos primitivos. Essa é mais uma razão para que sustentemos que a abominação da desolação ocorrerá no Templo de Jerusalém devidamente reconstruído.


POSSIBILIDADES REAIS


Há fortes razões para que acreditemos na cada vez mais próxima reedificação do Templo em Jerusalém. Existem possibilidades reais para que isso ocorra. Não é uma cogitação totalmente infundada ou impossível de ser levada a cabo, do ponto de vista humano.  

Em primeiro lugar, os judeus ortodoxos, aqueles que vivem em obediência aos princípios da Torah, jamais esconderam seu anelo de ver reconstruído o tão sonhado Templo. Hoje, como uma forma de não esquecer esse profundo desejo, eles usam o Muro das Lamentações, um resquício da antiga estrutura que rodeava o Templo, como lugar de orações. Arquitetonicamente, é apenas uma parede que sobreviveu à ruína da construção. Mas, para esses judeus, é uma partícula do sonho que mora em seus corações e faz parte fundamental na expressão de sua fé.  

Quem reconstruir o Templo, obterá grande prestígio dentro da comunidade judaica, tanto entre aqueles que seguem fielmente os princípios da Torah, como entre aqueles que, mesmo sendo ateus ou pertencentes a outros credos, aceitarão essa reconstrução como algo importante a nível cultural e histórico.  

Neste contexto, não descartamos a possibilidade de que o Templo seja reconstruído através de uma intervenção política da própria besta, o que, certamente, lhe renderia a completa aprovação por parte dos judeus. Pode ser construído também por algum líder judeu, visando dividendos puramente políticos, a exemplo do que o rei idumeu Herodes fez em sua época, ao reedificar o Templo, ao qual Jesus chamou de "Casa de meu Pai".  

Uma coisa é certa. Há grandes possibilidades de que algo verdadeiramente desastroso possa ocorrer na Esplanada das Mesquitas, onde o antigo Templo judaico existia e onde atualmente existe uma mesquita islâmica, chamada de Al-Aqsa e um relicário denominado "Domo da Rocha", construídos por ordem do califa omíada Abd al-Malik ibn Marwan no final do século VII. Os grupos extremistas de ambas as partes (judeus e muçulmanos), poderão deflagrar ataques àquela parte crítica dentro de Jerusalém.  

Nesta imagem panorâmica podem ser vistos o Domo da Rocha, com sua cúpula dourada e a Mesquita de Al-Aqsa à direita, como uma cúpula acinzentada:

 Até mesmo a permanente disputa entre israelenses e palestinos pela posse de certas partes de Jerusalém, poderá trazer conseqüências que possibilitem a reconstrução do Templo judeu em Jerusalém. Um acordo inédito e impensado entre muçulmanos e judeus, talvez com a mediação da besta, não pode ser totalmente descartado como fator facilitador para a construção do templo judaico. Cabe a nós ficarmos vigilantes a respeito de todos os sinais já profetizados nas Escrituras. Este artigo poderá ser atualizado várias vezes, pois cremos que ocorrências significativas terão lugar com relação a esse tema.  

              

Em Cristo, 

Jesiel Rodrigues  

 


 

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